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A mostrar mensagens de Abril, 2006

JAIME GRALHEIRO... O RESISTENTE!

Jaime Gralheiro: o Teatro Resistente

Jaime Gralheiro: o homem e a obra


2 - Bibliografia do dramaturgo - tábua cronológica[1]
1949 – Tentativa importante: Feia, a primeira peça escrita antes de ter assistido verdadeiramente a um espectáculo teatral; publicada na revista “Inicial” do Colégio João de Deus, Porto.

1962 – Epifânio Lacerda: peça mais tarde publicada com o título Paredes Nuas; representada em 1964 pelo grupo “Aurora da Liberdade”, de Matosinhos.

1963 – Belchior: peça representada por várias colectividades depois do 25 de Abril de 1974.

1964 - Ramos Partidos: publicada com as duas peças anteriores num livro editado pelo autor, em 1967, sob o título genérico de Teatro; embora ensaiada, foi uma peça proibida pela censura[2].

1964 – Farruncha: peça infantil representada inúmeras vezes por vários grupos de teatro, de colectividades e escolares, inclusive; publicada em 1975 pelo F.A.O.J..

1967/68 – O Fosso: peça publicada em 1972 pelo “Jornal do Fundão”, como n.º 1 da sua Colecção “C…

ERA UMA VEZ UM PAÍS

AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU

Era uma vez um país

onde entre o mar e a guerra

vivia o mais infeliz

dos povos à beira-terra.



Onde entre vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

um povo se debruçava

como um vime de tristeza

sobre um rio onde mirava

a sua própria pobreza.


Era uma vez um país

onde o pão era contado

onde quem tinha a raiz

tinha o fruto arrecadado

onde quem tinha o dinheiro

tinha o operário algemado

onde suava o ceifeiro

que dormia com o gado

onde tossia o mineiro

em Aljustrel ajustado

onde morria primeiro

quem nascia desgraçado.


Era uma vez um país

de tal maneira explorado

pelos consórcios fabris

pelo mando acumulado

pelas ideias nazis

pelo dinheiro estragado

pelo dobrar da cerviz

pelo trabalho amarrado

que até hoje já se diz

que nos tempos do passado

se chamava esse país

Portugal suicidado.


Ali nas vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

vivia um povo tão pobre

que partia para a guerra