28.9.17

ESCOLAS
Os 5 "C" essenciais.
A ter em conta:
- Competência;
- Consciência;
- Compaixão;
- Compromisso
- Criatividade.

Destaco a COMPAXÃO:
-  É tão importante ser compassivo, especialmente nos tempos que correm, onde o que parece valer é "o cada um por si".
O exemplo é a única forma de educar.
Pais e educadores/ professores devem formar crianças/ alunos compassivos, que considerem fundamental estender a mão a alguma pessoa que tenha dificuldade física esteja triste ou infeliz.  O mesmo se aplica na relação com os animais.
Não basta sentir pena ou dó, mas sim prestar auxílio e ajuda.
Façamos a diferença!

21.3.17

Dia Mundial da Poesia

Há 3 anos o meu pai escreveu...
No dia Mundial da Poesia, uma passagem discreta:

VEM ACONTECER
Tardo
Na tarde
E este entardecer
Tarda em me trazer
A alma da tarde
Que me dá prazer.
Não tardes mais
Vem acontecer.
Jaime Gralheiro

A Revolução de Abril contada às crianças - Jaime Gralheiro

ERA UMA VEZ UM PAÍS
Era uma vez um país,
que tinha como matriz a forma de um caixão.
Nesse país de terror,
havia como senhor
um homem sem coração…
Um tirano, um opressor!
Só quem queria o que ele queria,
e pensava como ele,
e como ele, também fazia
é que tinha a regalia…
de ser gente… os outros não!
Tratados como vassalos, muito pior que cavalos
Ainda abaixo de cão!




Para ter tudo na mão,
esse monstro de mil olhos,
de mil ouvidos, mil traições,
entrava em qualquer lugar
para ver, ouvir, escutar…
E quer fosse no emprego,
em casa de cada um,
no café, na escola, ou praça…
Sempre o olho da desgraça,
o seguia e perseguia,
de modo que quem dizia
mal da sorte, ou do patrão,
altas horas, ou de dia,
ía parar à prisão.
Meses, anos, uma vida…
Humilhado e torturado,
donde só às vezes saía,
pela única saída:
embrulhado num lençol,
atirado à cova,
noite fora e em segredo!

Era um país de “carneiros,”
sob o chicote do medo…
Oprimidos, censurados,
em fila bem perfilados,
como quem pede perdão!
Trabalhavam como escravos,
do nascer ao pôr do sol.
Aos Domingos tinham missa,
à tarde futebol…
e à noite ouviam o fado.
Nesse país desgraçado,
tudo o mais era “pecado”,
mesmo sonhar acordado!
Até vestir “blue-jeans”, ter isqueiro,
ou rapaz e rapariga…
sentados numa carteira,
lado a lado.
Tudo isso era vedado
pela moral do senhor

Era tal a opressão,
era tal a violência,
ao longo de tantos anos…
Que, tomando consciência
de tantas dores, tantos danos,
as armas que guardavam
o monstro das mil traições,
e às suas ordens matavam
e às suas ordens morriam,
começaram a conspirar…
Noite fora…
com aqueles que saindo das prisões,
sempre inventaram lugares
onde não houvesse ouvidos
do monstro dos mil olhares…

 
E foi assim, vede bem
Que numa certa madrugada,
sem que o esperasse ninguém,
explodiu uma canção,
como se fora granada!
-Quem ousou gritar…
“O povo é quem mais ordena?”
Quem é a voz que acena,
fora de horas com a revolta:
-“Aqui Movimento das Forças Armadas”!
Quem é que deixou à solta,
enchendo todas as ruas,
largos, praças e vielas,
milhares de cravos a florir
no cano das espingardas?
Quem é que pôs nas varandas,
quem é que pôs nas janelas
grandes bandeiras vermelhas?

E um rio de gente inundou o país,
afogou todos os medos,
estilhaçou as algemas.
Essa voz assim o quis!
E a coragem deu as mãos,
ligou um povo de irmãos
a cantar um canto novo,
que se levanta e flutua,
vai já no meio da rua,
como chama que incendeia
a resistente candeia…
Que se fez multidão
pronta a gritar:
“O povo está com o MFA”,
“O povo está com o MFA”…
E levanta-se do chão…
enche as almas oprimidas!
- Olá!

Mas, o monsto dos mil olhos,
como um velho leão
acossado, ficou cego!
Seus mil ouvidos
Ficaram surdos e num último estrutor,
Encurralado,
O monstro disparou…
E mais uma vez matou,
um povo desarmado!
Tinha que ser assim:
assassinos até ao fim,
numa revolução de fraternidade
e amor,
cuja arma era… apenas uma flor!

Pois, esse país triste e desgraçado,
não é uma fábula não! EXISTIU!
Foi o Portugal dos vossos pais e avós!
E agora… SOIS VÓS,
que tem na mão o país novo,
sempre a construir:
o Portugal de Abril,
o Portugal do Povo,
que há-de florir…
Em cada geração que vier!
MAS CUIDADO!
Que por detrás dos escombros
desse tal Passado,
estão sempre os ombros
do velho monstro,
que renasce em cada dia
em que a Liberdade e a Democracia
São atacadas!

SENTINELAS DO FUTURO TEREIS DE SER,
PARA QUE O VELHO MONSTRO
DE MIL OLHOS, MIL OUVIDOS E MIL MÃOS
NÃO VOLTE A RENASCER!

Jaime Gralheiro
Março de 1999








12.11.11

COMADRES

Local: chafariz de aldeia. Chega uma mulher do povo com um caneco na cabeça. Vem muito apressada e diz:

Comadres,

Deixai-me passar à frente,

Eu vos peço por favor,

Porque esta vida da gente

É um horror!

Trago o coração na boca

De tanto correr, correr...

Será isto coisa pouca?

Deixar em casa no berço o mais pequeno

E os outros dois maiorzitos,

Afogados em baba e ranho,

A chorar como cabritos !

As vacas andam no feno

E as ovelhas, em rabanho,

Andam a pastar na horta,

Que fica junto da porta,

Como se no monte fora!

Comadres, tenho já de me ir embora,

Pois deixei o lume aceso

E o peru que estava preso

Saltou para o curral do porco

Que me deita abaixo a casa

De tanto fossar, fossar...

Por tudo isto vos peço


Deixai-me à frente passar

E encher o caneco, sem tardança.

Posso? Posso?

                      (Põe o caneco a encher)

Oh que rica vizinhança


Deus Nosso Senhor me deu!

Eu vos juro que no Céu

Tereis paga bem maior.

             E agora, enquanto o caneco toma a água

             Quero contar-vos a mágoa

             De um mulher que eu cá sei!

E não dizeis: conta! conta!

Oh que gente esta! Que afronta!

Que nem quer saber, sequer,

Um pouco da vida alheia!

Puxanar é um prazer!...

Por isso eu digo e redigo

Que tenha cá p’ra comigo

Que esta de vir à fonte

É uma grande invenção.

É o tempo de falarmos,

De umas com as outras estarmos,

             É a nossa televisão!

Por isso, quando o governo

Não nos põe em casa a água

E muito menos o esgoto,

Defende esta tradição,

Defende esta tradição!

             E, por isso, tem meu voto!

                                (vai ver o caneco)

Ai! Já está cheio! Cá me vou!...

                                ( põe o caneco à cabeça)

Mas antes de me ir à minha,

Sempre quero perguntar-vos:

Ouviste contar aquela do Zé Galo

Que se põe em toda e qualquer galinha?

Vai p’rá í uma falarota!


Seja velha ou garota,

A todas salta na crista.

Dizem que nenhuma escapa!

                                (  Poisa o caneco na borda do chafariz)

             Pois outro dia na Lapa,

             Quando eu com o gado andava,

             Me apareceu esse Diabo,

Só p’ra ver se me atentava!



Era no tempo da giestas,

Quando o Maio puxa ao cio,

O cuco e rola cantava

E nem vivalma passava

Lá nos cimos do Mesio...

             Nisto, ele chega, olha e começa:

             “Olá flor da revessa!”

E eu que muito bem sabia

Que o que ele queria

Era conversa,

Bico mudo: nem palavra!

Só para ver o que ele dizia...

             Mas ele não disse nada!

             Em vez disso, deita a mão,

             Prende as minhas com as dele

             E esmaga-me o coração,

             Contra o peito e contra a pele!



Ai! Filhas! Fiquei sem pinga!

Deu-me uma quebreira tal

Que comecei a tremer...

             E tremia! E tremia!...

Mas nem um dedo mexia,

Só p’ra ver o que ele fazia!...

             E eu vos juro e trejuro,

             Pelas cinco chagas de Cristo,

             Que não vi ou que, então, fez,

             Nem sequer, tanto como isto!

Senti, sim, um furacão,

Um turbilhão, terramoto,

Desabando sobre mim

E o meu corpo meio morto,

Deslizando para o chão,

Como se fora uma cama

De alecrim e rosmaninho.

             Ai filhas! E que cheirinho!...



Que é dos gritos que eu não dei?

Que é dos gestos que eu não fiz?

Ai o furor que eu tomei

E me veio da raiz!



O meu corpo ardia em chamas,

Como um fogo de Setembro,

Posto por mãos criminosas!

Oh como toda eu me lembro!...

(Quando me lembro e relembro!)

E me encolhia e gemia...

                      e gemia e me encolhia...

Só p’ra ver o que ele fazia!



                      E ele...fez tudo quanto queria!



Finalmente levantou-se,

Quando eu cansada já estava

E não podia mais nada,

Nem com uma gata pelo rabo!...



Ah! Foi então que aquele Diabo

Ouviu desta boca santa

O que nunca ninguém disse!

                                Ai o que eu disse, comadres!

Ninguém o pode pensar,

Nem sonhar! Ninguém o sonha!...



Umh! Se todas fossem como eu

             Não havia sob o céu

Tanta falta de vergonha!...



E riem-se?!

Pois não sei porque é tal rir!

Só porque eu dei do que é meu

A quem mo soube pedir,

Já sou?...



Se assim é,

Como havemos de chamar

A uns  senhores que p’rá í há

Que dão o cu à direita

E fazem festa à esquerda?



             E toda a gente os respeita!



Sabem que mais?

                                Bardamerda!



                                (Faz o manguito e sai. Volta atrás para levar o caneco)

            



                      S. P. Sul, 1985



                      J. Gralheiro



( Integrado no espectáculo da COMUNA – Lisboa: “Farsa você mesmo!” – 1986)




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21.12.10

QUANDO O PAI FEZ 80 ANOS DE JUVENTUDE

MANIFESTO PRÓ-CANETA(Ana Bebé Gralheiro)

Nada substitui uma caneta.
Pode ser cara, barata, de ouro, latão ou prata
De carga, aparo e tinteiro
De uso, ou colecção
Elitista ou do “pobão”
Para ricos, ou sem dinheiro
Uma caneta, é sempre isso
E  tudo o mais…
Imaginação, arte e compromisso.

Imperatriz da escrita
Elegante e com estilo
Conquista folhas de papel em  branco
Alarga impérios de ideais
Que ninguém lê
Ou que é publicado
Em livros, revistas  e  jornais...
E quem sabe,
Em muito mais.

Um computador é uma  imitação da caneta
Um sucedâneo vulgar
Que não tem a beleza no gesto…
do deslizar.
Isento do bailado
da mão no  papel,
que ora escreve, ora o risca
por vezes  rasgado
maltratado, amarrotado...
.








A caneta é intemporal
Independente de gigas caprichosos
Que ora obedecem, ora são manhosos.…
A caneta é simples
É papel, poesia, história,
imaginação incontida.
Paixão, revolta, tortura
Vida, dor e loucura
Companheira dedicada
Das recordação de quem escreve…
imagens com memória…
Concentração, sobrancelha arqueada
Em casa, na praia…para depois se ouvir
A leitura entusiasmada.
Tempestade, calmaria, obra concluida
Mais um filho que nasceu: partilho-o, mas é só meu.





Tudo isto para vos comunicar…
Quão extraordinário é receber uma caneta de presente
Faz-nos sentir maiores
Gente diferente.
Ninguém discorda,
Ninguém diverge.
A família une-se
É unânime
Há consenso
Aclamação
Por isso é imperdoável
Que haja alguém que diga...
Uma caneta?
Oh, não!

ESCOLAS Os 5 "C" essenciais. A ter em conta: - Competência; - Consciência; - Compaixão; - Compromisso - Criatividade. Des...