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NOVO LIVRO DE JAIME GRALHEIRO

A Caminho do Nunca? – ou minha loucura outros que me a tomem»

Livro de Jaime Gralheiro é esta quarta-feira apresentado na UA

O auditório da Livraria da UA recebe esta quarta-feira, 24 de Junho, pelas 18h00, o lançamento do livro «A Caminho do Nunca? - ou minha loucura outros que me a tomem», de Jaime Gralheiro. A apresentação será feita pela Dra Teresa Soares, vogal da comissão de gestão do CIFOP e coordenadora do programa da formação em serviço na UA.

Sobre o livro:
«A Caminho do Nunca? – ou minha loucura outros que me a tomem» é um emaranhado de pequenas estórias (inventadas) que, como a era, se agarram e vão subindo pela grande árvore da História dos anos sessenta, tudo transformado num grande painel em carne viva daquele tempo português.

É a recreação romanceada muito próxima da realidade desse tempo, recreação esta que se desenvolve através de várias vertentes da nossa vida colectiva de então desde a emigração (por salto) para França, à luta politica (clandestina, legal e semi-legal), às lutas académicas (Coimbra, Lisboa e Porto), ao quotidiano deste país, tudo misturado com situações históricas concretas, tais como a Operações Dulcineia (transformação do Paquete Santa Maria em Paquete Santa Liberdade) e Vago (chuva de panfletos contra o Regime lançados sobre Lisboa e sul do país por um super-consteletion para o efeito sequestrado em Argel), os discursos de Salazar, a Guerra Colonial e a Operação Outon” que levou à morte de Humberto Delgado (que é dada em directo), sem esquecer as grandes cheias de 67, em Lisboa e arredores e, por de trás de tudo, a Pide (o medo e a violência), a Censura (o obscurantismo e a ignorânca), a Guerra, enfim, a miséria de um povo que cantava e morria nas matas africanas.

No tocante às Lutas Académicas é de realçar a recreação do 1º Dia do Estudante, em Coimbra, em 1961; a crise académica de 1962 (em Lisboa e Coimbra); a repressão do Dia do Estudante em 1964 (em Lisboa, com a participação de Porto e Coimbra); a grande vaga de prisões em 1964/65 (nas três Academias); o socorro às vitimas das cheias em Lisboa de 1967 (os católicos); o contacto dos estudantes com as populações rurais e a crise de Coimbra de 1969, recreada pari e passo, até ao célebre Não servem para estudar, Servem para morrer que implicou o recrutamento geral dos estudantes mais activistas e conscientes que de Coimbra transitaram para a Guerra Colonial, aí tendo iniciado a politização da tropa profissional. De notar que tudo isto aparece integrado no dia a dia de um povo que sonha e desespera. E que terá a ver todo este Passado que se fez fermento de Abril com os caminhos do Presente e do Futuro?

É um livro para todos aqueles que queiram compreender, mais profundamente, este país que temos e imperdível para todos aqueles que viveram as grandes crises académicas dos anos 60.

Sobre o autor:
Jaime Gaspar Gralheiro nasceu a 7-7-1930, em São Pedro do Sul.
Advogado e dramaturgo português nascido a 7 de Julho de 1930, S. Pedro do Sul. Na sua terra natal fundou um grupo de teatro popular, o «Cénico», com o qual montou, além das suas próprias peças, obras de Lorca, Suassuna e Gil Vicente. Estreou-se em 1967 com um volume onde reuniu as peças Paredes Nuas, Belchior e Ramos Partidos, e que, segundo a apreciação de Deniz Machado, no prefácio, «tratam, em última análise, do problema da liberdade do indivíduo perante as inibições ou constrangimentos impostos pelo meio social». Numa regular carreira de autor dramático, ao teatro de intenção de Jaime Gralheiro (da peça infantil Farruncho, à peça histórico-revolucionária Arraia-Miúda, ao teatro popular de inspiração vicentina recriado em Na Barca com Mestre Gil, até à versão teatral do romance de Manuel Tiago Até Amanhã, Camaradas, em O Homem da Bicicleta, ou à «revista dos feitos do século XVI», Onde Vaz, Luís? parece aplicar-se com justeza a citação do famoso director teatral alemão Erwin Piscator que abre a colecção Teatro para as Quatro Estações, dirigida por Egito Gonçalves, da Editorial Inova: «O teatro de hoje, tal como eu o penso e pratico, não se pode limitar a produzir no espectador um efeito puramente artístico, ou seja, estético. [...] O teatro tem por missão intervir de uma maneira activa no curso dos acontecimentos, e preenche essa missão mostrando a história na sua evolução. [...] A missão do teatro de hoje não pode consistir apenas em relatar acontecimentos históricos, apresentados tal e qual. Deve tirar desses acontecimentos lições válidas para o presente, adquirir um valor de advertência mostrando relações políticas e sociais fundamentalmente verdadeiras, e tentar assim, na medida das suas forças, intervir no curso da história».

Bibliografia: Feia, s/l, 1951; O Fosso, Fundão, 1972; Arraia-Miúda, Porto, 1977; Na Barca com Mestre Gil: Recreação Dramática, Lisboa, 1978; Vieram Para Morrer, Lisboa, 1980; O Homem da Bicicleta, Lisboa, 1982; Onde Vaz, Luís?, Lisboa, 1983; O Grande Circo Ibérico, Lisboa, 1998, in Infopedia: http://www.infopedia.pt/$jaime-gralheiro

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