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O PAI FAZ ANOS

MANIFESTO PRÓ-CANETA(Ana Bebé Gralheiro)

Nada substitui uma caneta.
Pode ser cara, barata, de ouro, latão ou prata
De carga, aparo e tinteiro
De uso, ou colecção
Elitista ou do “pobão”
Para ricos, ou sem dinheiro
Uma caneta, é sempre isso
E tudo o mais…
Imaginação, arte e compromisso.

Imperatriz da escrita
Elegante e com estilo
Conquista folhas de papel em branco
Alarga impérios de ideais
Que ninguém lê
Ou que é publicado
Em livros, revistas e jornais...
E quem sabe,
Em muito mais.

Um computador é uma imitação da caneta
Um sucedâneo vulgar
Que não tem a beleza no gesto…
do deslizar.
Isento do bailado
da mão no papel,
que ora escreve, ora o risca
por vezes rasgado
maltratado, amarrotado...
.








A caneta é intemporal
Independente de gigas caprichosos
Que ora obedecem, ora são manhosos.…
A caneta é simples
É papel, poesia, história,
imaginação incontida.
Paixão, revolta, tortura
Vida, dor e loucura
Companheira dedicada
Das recordação de quem escreve…
imagens com memória…
Concentração, sobrancelha arqueada
Em casa, na praia…para depois se ouvir
A leitura entusiasmada.
Tempestade, calmaria, obra concluida
Mais um filho que nasceu: partilho-o, mas é só meu.





Tudo isto para vos comunicar…
Quão extraordinário é receber uma caneta de presente
Faz-nos sentir maiores
Gente diferente.
Ninguém discorda,
Ninguém diverge.
A família une-se
É unânime
Há consenso
Aclamação
Por isso é imperdoável
Que haja alguém que diga...
Uma caneta?
Oh, não!
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