1.12.09

LANÇAMENTO DO " A CAMINHO DO NUNCA - GALERIA VIEIRA PORTUENS

A CAMINHO DO NUNCA, é a última obra de Jaime Gralheiro, publicada pela editora HUMUS. Com lançamentos em Viseu, Coimbra e Lisboa, foi apresentada pelo próprio autor na GALERIA VIEIRA PORTUENSE (LINK -http://cadernosdarte.blogspot.com/2009/09/caminho-do-nunca-de-jaime-gralheiro.html), (Largo dos Lóios,50, da cidade do Porto), no dia 25 de Setembro, pelas 18 horas.


Jaime Gralheiro diz que a obra «É uma síntese poética entre o romance e o teatro, com laivos memorialistas e de ensaísmo histórico. A linguagem é diferente, ninguém escreve e ninguém diz como eu. O estilo pode fazer lembrar o Aquilino, face aos muitos regionalismos. De vez em quando, Fernão Lopes, Gil Vicente, Camões, tudo autores com quem tenho um trato próximo. Também passo por Garrett, Herculano, Eça e Antero. Todos estão lá. É um texto com ressonâncias da escrita moderna»


«Em 1990, fui convidado a escrever uma série para a TV sobre a geração de 60, mas nunca foi levada à cena. Passados 12 anos voltei ao texto e fiz coisa nova: o retrato em carne viva e em grande de uma geração que se empenhou num combate sem tréguas por um mundo melhor».


Combate falhado? Diz Jaime Gralheiro: «O grande povo não falhou, mas tem sido condicionado por muitas barreiras que nunca o deixaram ser. A grande matriz do Povo Português está no século XVI, no advento das Descobertas. Mas o povo já tinha passado pela Revolução de 1383. O povo correu com o rei espanhol, embarcou nas caravelas, em certos momentos tomou nas mãos a sua História. Camões é lembrado como o grande ideólogo deste povo e Fernão Mendes Pinto esquecido como o grande pirata.


Este povo foi metido no colete-de-forças da Inquisição. Fomos apertados numa tenaz com dois braços, o Concílio de Trento e a Inquisição. E esta tenaz condicionou Portugal até ao 25 de Abril de 1974»


A caminho do nunca, os sonhos da geração de sessenta? «Penso que sim.


Mas realizaram-se alguns sonhos.


Até aqueles desgraçados que descobriram o caminho terrestre para França, a geração da mala de cartão, os que emigraram, realizaram alguns sonhos. Hoje ninguém fala neles, mas também sonharam.


Nós lutámos em 1962 em Lisboa e Coimbra, fizemos tremer o regime.


A Academia de Coimbra escreveu páginas de luta empolgantes em 1969.


Nessa altura já éramos muitos. Chegámos a pensar que o tempo novo estava ao virar da esquina. Esta convicção de que o sonho estava nas nossas mãos é que gerou um grande entusiasmo, que se prolongou até ao 25 de Abril.


Mas de repente tudo se esfumou. O Baptista-Bastos diz que estamos condenados a perder todas as revoluções em que nos metemos, mas eu não quero acreditar nisso».


Jaime Gaspar Gralheiro
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